UFC 232: Fim de uma era; Recomeço de outra

O último UFC encerra com chave de ouro um ano de conquistas para a organização. Além de uma parceria bilionária com a ESPN, a maior emissora esportiva do mundo, vimos o evento chegar pela primeira vez em diversos países (Russia, Chile e Argentina), pela primeira vez vimos diversos campeões unificarem títulos em diversas categorias (Daniel Cormier e Amanda Nunes). Em mais de duas décadas de história do UFC só vimos isso acontecer três vezes (Conor McGregor, Daniel Cormier e Amanda Nunes) e foram nos últimos dois anos! Isso mostra a evolução pela qual vem passando o esporte. E por coincidência do destino, vimos nesse último evento do ano o fim de uma era (uma invencibilidade de 13 anos de Cris Cyborg) e talvez o recomeço de uma nova (de Jon Jones que conquistou o cinturão dos Meio-Pesados). O UFC 232 e o ano de 2018 certamente entrará para a história dessa organização e do próprio esporte que ajudou a consolidar.


Card Principal


Jon Jones vs. Alexander Gustafsson

Categoria: Meio-Pesado

Jon Jones vence Alexander Gustafsson por nocaute no 3R e assume o cinturão dos Meio-Pesados

Em outra luta sensacional, Jon Jones (23-1-0, 1NC) venceu Alexander Gustafsson (18-5-0) no terceiro round por nocaute e se sagrou o novo detentor do cinturão dos Meio-Pesados.


Jones iniciou bem a luta, vencendo os dois primeiros rounds na nossa contagem. No entanto, no segundo round, a vantagem de Jones foi mais apertada. No round seguinte, o ritmo da luta se intensificou. No chão, Jones conseguiu imobilizar o braço Gustafsson e, montado sobre ele, iniciou uma sequência de golpes brutais, levando ao fim da luta.


A luta ocorreu em meio a uma polêmica envolvendo um possível uso de doping (uma substância anabolizante proibida em fração irrelevante foi encontrada no sangue de Jones), que fizeram, inclusive, o evento mudar de cidade (Las Vegas para Los Angeles).


A luta já era aguardada por colocar frente a frente, e mais uma vez, Jones e Alexander Gustafsson, o lutador que esteve mais próximo de vence-lo, teve sua carga de dramacidade aumentada após Daniel Cormier abdicar do cinturão dos Meio-Pesados.


Cris Cyborg vs. Amanda Nunes

Categoria: Pena-feminino

Amanda Nunes vence Cris Cyborg por nocaute no 1R e assume o cinturão dos Pena (e Galo)

Em uma luta relâmpago e com um desfecho inacreditável, Amanda Nunes (17-4-0) nocauteou ainda no primeiro round Cris Cyborg (20-2-0, 1NC), pondo uma invencibilidade de quase 13 anos. A única derrota que Cyborg tinha até então havia sido sua primeira luta como profissional, em 2005 (contra Erica Paes no Show Fight 2).


Amanda Nunes e Cyborg entraram em uma trocação franca, culminando com uma sequência de golpes certeiros no rosto de Cyborg que a fizeram cair desacordada.


Agora, Amanda Nunes faz história na organização, sendo a primeira atleta feminina a acumular dois cinturões (Pena e Galo) e a por fim a uma era de vitórias de Cyborg.


Carlos Condit vs. Michael Chiesa

Categoria: Meio-Medio

Michael Chiesa vence Carlos Condit por finalização (Kimura) no 2R

Em outra luta bastante aguardada, Michael Chiesa (14-4-0) venceu Carlos Condit (30-12-0) por uma finalização via Kimura.


O primeiro round foi bastante parelho, com bons momentos para ambos os lados. No chão, tanto Condit como Chiesa tiveram oportunidade de finalizar a luta, sem sucesso. No segundo round, logo no inicio, Chiesa finalizou Condit com uma Kimura bem aplicada (e usando apenas um braço).


Ilir Latifi vs. Corey Anderson

Categoria: Meio-Pesado

Corey Anderson vence Ilir Latifi por decisão unânime

Ilir Latifi (14-6-0, 1NC ) e Corey Anderson (12-4-0) se enfrentaram pela divisão dos Meio-Pesados.


Latifi fez um bom primeiro round. Um chute baixo aplicado por ele quase durrubou Corey Anderson. Além disso, conseguiu aplicar bons golpes na trocação. A intensidade da luta diminuiu no segundo round, grande parte por conta de Latifi, mais desgastado por conta do primeiro round. Assim, Corey teve mais facilidade de vencer o segundo e terceiro round. Ao final os arbitros deram vitória por decisão unânime (29-28, 29-28, 29-28) à Corey.


Chad Mendes vs. Alexander Volkanovski

Categoria: Pena

Alexander Volkanovski vence Chad Mendes por nocaute técnico no segundo round

Em uma luta intensa, Alexander Volkanovski (19-1-0) venceu Chad Mendes (18-5-0) no segundo round por nocaute técnico.


O primeiro round foi bastante movimentado e parelho. Vimos uma ligeira vantagem para Volkanovski que buscou mais a luta. No segundo round, houve bons momentos de ambas as partes. Mendes conseguiu aplicar bons golpes em Volkanovski, fazendo-o inclusive a cambalear, mas não conseguiu por um fim a luta. Pouco depois ocorreu o mesmo, só que em favor de Volkanovski. No finzinho do round, Volkanovski aplicou uma sequência de golpes contundentes em Mendes, garantindo uma vitória por nocaute técnico.


Card Preliminar


Na primeira luta da noite, o norte-americano Montel Jackson (7-1-0) finalizou o compatriota Brian Kelleher (19-10-0) ainda nos minutos iniciais do primeiro round por estrangulamento.

Na sequência, Curtis Millender (17-3-0) enfrentou e venceu Siyar Bahadurzada (24-7-1) por decisão unânime dos arbitros de mesa (29-28, 29-28, 30-27), pela divisão dos meio-médios.

Na terceira luta da noite, Uriah Hall (14-9-0) venceu um novato no UFC, mas perigoso, Bevon Lewis (6-1-0) emu ma luta sensacional. Hall começou mal a luta, perdendo os dois primeiros rounds, mas em uma reviravolta incrível, Hall conseguiu nocautear Lewis com um contra-golpe certeiro ainda no começo do 3 round, levando Lewis à lona.


O primeiro round começou dificil para Uriah Hall que sofreu uma forte pressão de Bevon Lewis na trocação. Ao longo do round, Hall até conseguiu se recuperar mas continuous atrás na trocação. No segundo round, mais uma vez Hall ficou para trás, no entanto foi de fato um round mais parelho. No round final, aos 1min e 32segs, Hall conseguiu nocautear o adversário.


O norte-americano Andre Ewell (14-5-0) e o inglês Nathaniel Wood (15-3-0), dois jovens prospectos do UFC, se enfrentaram em mais uma luta de 3 rounds. No primeiro round, Wood não só esteve melhor na trocação, como dominou o centro do octógono todo o momento do round, sempre partindo para cima de Ewell que pouco fez. No segundo round, Wood ampliou ainda mais a vantagem domindo Ewell no chão. Em seguida, no terceiro e último round, após passar boa parte do round também em vantagem, Wood aplicou um mata-leão perfeito em Ewell não restando outra alternativa se não o tap out.


Jovem promessa do Reino Unido, Nathaniel Wood em entrevista ainda no octogono pediu seu nome no card de Londres no ano que vem.


Em seguida, em uma luta bastante aguardada, B.J. Penn (16-13-2) e Ryan Hall (7-1-0) se enfrentaram pelos Leves. A luta foi especial por ser a volta da aposentadoria da lenda BJ Penn e também pelo fato de opor dois especialistas do jiu-jitsu. Não à toa a luta terminou no chão. No chão, Ryan Hall conseguiu pegar o calcanhar de BJ Penn que ainda estava em pé e finaliza-lo de forma rápida por uma chave de calcanhar perfeita.

Apesar de estar voltando da aposentadoria, é provavel que BJ Penn não lute mais, essa foi a sexta derrota consecutiva do havaiano


Em uma performance dominante, o russo Petr Yan (11-1-0) derrotou o brasileiro Douglas Silva de Andrade (25-3-0, 1NC) ainda no segundo round. Depois de perder o primeiro e segundo round (este de forma mais contundente), o time de Douglas Silva achou mais prudente não voltar para o terceiro round, dado os danos no brasileiro. Foi de fato uma decisão correta na nossa opinião.


Na primeira luta feminina da noite, Megan Anderson (9-3-0) venceu Cat Zingano (10-4-0) em uma luta relâmpago e inusitada. Logo no inicio da luta, Megan Anderson acertou um chute alto de raspão no rosto de Zingano. O chute acabou pegando de raspão o olho direito de Zingano, fazendo-a correr para trás como se pedisse a desistência da luta e foi o que o arbitro (Marc Goddard) fez, declarando a luta como nocaute técnico de Megan.

Na última luta do card preliminar, Walt Harris (12-7-0) derrotou Andrei Arlovski (27-18-0, 1NC) na decisão dos arbitros (27-30, 29-28, 29-28).


Definitivamente, não foi um combate dos mais empolgantes. Na nossa visão, Harris saiu em ligeira vantagem dos rounds. No segundo round, ambos os lutadores desaceleraram o ritmo, talvez para guardar energia com o round seguinte. No round final, houve de fato mais trocação, mas nada que empolgasse.


Silvio Doria

Pós-Luta / Post-Fight

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